Segundo a cientista política Priscila Lapa, o PSD, presidido pela governadora Raquel Lyra, obteve o maior fortalecimento para as eleições deste ano; João Campos renunciou à Prefeitura do Recife e seis secretários estaduais deixaram seus cargos
A janela partidária, período em que parlamentares com mandato puderam mudar de partido, foi encerrada na última sexta-feira (3), provocando uma reorganização do cenário político de Pernambuco para as eleições de 2026. Já o sábado (4) marcou o prazo final para a desincompatibilização de pré-candidatos, exigência aplicada a quem ocupa cargo, função ou mandato e pretende concorrer a um cargo eletivo diferente do que exerce atualmente.
Segundo a cientista política Priscila Lapa, o Partido Social Democrático (PSD) no estado, presidido pela governadora Raquel Lyra, obteve o maior fortalecimento para as eleições deste ano.
“Não tenho dúvida de que o partido que mais agregou foi o da governadora, o PSD, que se tornou uma das legendas mais competitivas. Inclusive, para os candidatos proporcionais, ele vai perdendo a atratividade, porque tem nomes muito fortes concorrendo pela legenda que podem prejudicar os candidatos mais estreantes”, explicou.
Priscila também apontou a importância da federação União Progressista e o crescimento de siglas como o Podemos na atração de novos filiados.
BASE
Até então sem representação na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o PSD recebeu nove deputados estaduais e se tornou uma das maiores bancadas da Casa. Os deputados Antônio Moraes, Aglailson Victor, Débora Almeida, Izaías Regis, Joãozinho Tenório, Romero Sales Filho, William Brígido, Socorro Pimentel e Jarbas Filho ingressaram na legenda.
Já o Podemos foi o segundo partido a ganhar mais filiados no Legislativo. Luciano Duque, Edson Vieira, Wanderson Florêncio, Gustavo Gouveia, Fabrizio Ferraz, Jeferson Timoteo e Mário Ricardo optaram por ingressar na sigla, que faz parte da base de apoio à governadora Raquel Lyra.
Também da base da governadora, o deputado France Hacker deixou o PSB e se filiou ao PP. A agremiação também recebeu as filiações de Dannilo Godoy, Joel da Harpa e Gleide Ângelo. Da bancada independente, o deputado Renato Antunes deixou o PL e se filiou ao Novo, que passou a ter representação na Casa.
OPOSIÇÃO
Na oposição, as mudanças levaram o presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto, e o deputado Diogo Moraes a deixarem o PSDB, partido da base da governadora. Porto ingressou no MDB, partido que compõe a base do pré-candidato ao governo do estado e ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). Já Moraes voltou ao PSB, partido pelo qual foi eleito.
Waldemar Borges também voltou à sigla socialista após ter migrado para o MDB. Ele, no entanto, não disputará a reeleição. O deputado Romero Albuquerque migrou, em uma semana, do União Brasil para o PSB, depois se filiou ao PP e, por fim, voltou ao PSB.
Já o PT reforçou a bancada na Alepe com a chegada de Dani Portela e João Paulo Costa, passando a contar com cinco parlamentares. Por outro lado, o deputado Junior Matuto se filiou ao Republicanos.
CONGRESSO
No Congresso Nacional, o deputado federal Túlio Gadêlha deixou a Rede Sustentabilidade para provavelmente ser a aposta de Raquel Lyra para o Senado pelo PSD.
A legenda também foi o destino escolhido por Uchoa Júnior, que deixou o PSB. Outro apoiador de Raquel, Mendonça foi para o PL, enquanto o Pastor Eurico se filiou ao PSDB.
Já o deputado Fernando Rodolfo assumiu o comando da federação PRD/Solidariedade e o legislador Luciano Bivar ingressou no MDB. Bivar é cotado para ser suplente do senador Humberto Costa (PT) na disputa pela reeleição na Casa Alta.
O senador e pré-candidato à reeleição Fernando Dueire saiu do MDB e se filiou ao PSD, reforçando o alinhamento com a chefe do Executivo estadual.
FORTALECIMENTO
O cientista político e professor do departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Elton Gomes, avalia que o principal objetivo do governador ao atrair parlamentares durante a janela partidária é fortalecer palanques para a disputa majoritária e ampliar a capacidade de mobilização eleitoral.
“Vários desses parlamentares têm ascendência sobre prefeitos, especialmente no interior, porque os parlamentares não têm capacidade de execução orçamentária. Quem tem capacidade de execução orçamentária são os chefes do poder Executivo.”
Além disso, ele destaca que as trocas partidárias também impactam a força das chapas proporcionais, influenciando o tempo de televisão e a distribuição de recursos.
DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Na última quinta-feira (2), o pré-candidato ao governo do estado João Campos renunciou à Prefeitura do Recife.
No governo de Pernambuco, seis secretários deixaram as pastas: Daniel Coelho (Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha), André Teixeira Filho (Mobilidade e Infraestrutura), Kaio Maniçoba (Turismo e Lazer), Emmanuel Fernandes (Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo), Carlos Braga (Assistência Social) e Juliana Gouveia (Mulher). Eles devem se lançar como pré-candidatos às eleições para o Legislativo estadual e federal deste ano.
Em Brasília, 17 ministros deixaram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para concorrer às eleições de outubro. Entre eles está o ex-ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho (Republicanos), pré-candidato a deputado federal em Pernambuco.


